4 de dez de 2010

Bullying


A ação restauradora
de Deus
sobre a violência juvenil

Pr. Francisco Araújo Barretos Neto
Arapongas, PR


A nova vida em Cristo implica em mudança de valores, pensamentos,
crenças e estilo de vida. Quando a alma é sarada, há transformação
no modo de pensar, muda-se a maneira de agir e, naturalmente, a forma de viver.
Isso reflete diretamente no relacionamento com o próximo.

Crianças e adolescentes estão convivendo numa relação desigual de poder. Há aqueles que têm prazer em destruir, humilhar e magoar os outros. O mais forte abate o mais fraco e a mais bonita debocha da mais feia. É colega prejudicando colega. Muitos pensam em não voltar mais à escola, ou à igreja, por causa disso. Para aqueles que prejudicam os outros ou, principalmente, para quem sofre o dano, em Cristo há cura para as feridas do coração, solução para os relacionamentos ruins e proteção contra as investidas do adversário.

O que é bullying e quem o pratica

A palavra inglesa bullying está sendo utilizada pelos especialistas para descrever qualquer atitude agressiva, com intencionalidade negativa e de forma repetitiva contra alguém mais fraco, sem nenhum motivo justificável. Essa prática, que está acontecendo nas escolas, está produzindo pessoas com problemas de aprendizagem, dificuldade de socialização, feridas na alma e, principalmente, com problema de relacionamento com Deus e com o Corpo de Cristo.

Nos meios de comunicação, alguns verbos estão sendo usados para caracterizar essa situação: atazanar, ferir, intimidar, isolar, avacalhar, perseguir, ofender, escarnecer, humilhar, satirizar, discriminar, zoar, desmoralizar, tiranizar, ameaçar, ignorar, bater e outros.

A vítima é escolhida para virar “saco de pancada” e as brincadeiras negativas, os apelidos maldosos, as discriminações da raça, cor ou por ser portadora de necessidade especial, o isolamento de uma pessoa inteligente são atitudes dos que praticam o bullying. Crianças, adolescentes e jovens acabam sendo muito cruéis com seu próximo.

O mais forte ou a mais bonita sempre faz alguma coisa para causar dor emocional ou angústia em seu colega. Esses atos de covardia são constantes e isso facilita a intimidação da vítima. A desigualdade de poder no relacionamento é grande demais para que a parte prejudicada esboce alguma reação. Normalmente, desaba em lágrimas ou guarda os rancores dentro de seu coração. As emoções ruins, guardadas na alma, produzem um padrão de comportamento anti-social. Quando isso acontece nos primeiros anos de convivência social, o reflexo negativo é para toda a vida. Só Jesus pode dar solução.

As conseqüências do bullying na vida do prejudicado

As experiências emocionais doloridas produzem feridas na alma e a mente mantém o registro de todas. Com o crescimento e desenvolvimento da pessoa, isso passa a condicionar o pensamento e o comportamento. No dia-a-dia, os especialistas têm identificado as seguintes características:

A falta de reação diante dos problemas passa a fazer parte da pessoa. A mente do indivíduo se acostuma a não conseguir resolver determinada dificuldade. No mundo interior isso se generaliza e influencia negativamente as tomadas de decisões diante de algo que precise ser resolvido. A humilhação constante produz um forte sentimento de incapacidade e o rendimento diário deixa a desejar. A vida se torna um labirinto sem saída.

A vergonha de ser o que é passa a ocupar o mundo interior e a timidez é o resultado. A vítima não consegue exprimir seus pensamentos em um diálogo, manifestar seus sentimentos em um relacionamento social ou afetivo e acaba não interagindo ativamente na sociedade. Aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos faz parte da vida social dessa pessoa. Para evitar situações que produzam novamente essa sensação, ela se isola.

O medo do que poderá acontecer ao virar a esquina do colégio é uma realidade mental constante. A pessoa gostaria de chegar à escola e brincar com todos, mas seus pensamentos sempre projetam uma situação em que ela sempre leva a pior. A vítima acostuma sofrer em silêncio por causa do medo de padecer represália de seus colegas.

A solidão torna-se uma alternativa menos dolorosa. É muito ruim viver sozinho, não ter ninguém para compartilhar seus problemas e dificuldades. Mas, diante de tanta opressão, a mente da pessoa racionaliza e aponta o distanciamento dos outros como a melhor saída, a melhor opção de vida.

O ódio, a aversão aos seus opressores, o desejo de que seus exploradores morram ou deixem de existir passa a ser uma idéia salvadora. Muitas vezes, a pessoa projeta cenas, em seu mundo imaginário, em que consegue destruir seus inimigos, da mesma forma como acontece nos filmes. Os noticiários já mostraram que há casos em que a vítima foi até as últimas conseqüências.

O suicídio é o pior pensamento que freqüenta o interior dessa pessoa. É como se pensasse: ‘já que não consigo destruir meus inimigos e resolver esse problema, vou destruir minha vida. Assim tudo acaba’. A pessoa não consegue perceber que ainda há uma saída. Se buscar socorro em Deus, sempre haverá solução eficaz para os problemas pessoais e de relacionamentos.

A falta de rendimento escolar é constatado em suas notas. Não há interesse em estar em um ambiente onde passa constantemente por situações angustiantes. A mente fica mais preocupada com os momentos em que poderá sofrer humilhações do que com o assunto ensinado em sala de aula. Isso tudo afeta a segurança, o rendimento e a freqüência escolar.

A ação de restauradora de Deus na alma humana

As pessoas prejudicadas por ações bullying podem tomar algumas atitudes em seu dia-a-dia, para evitar maiores dificuldades. Os especialistas orientam que elas devem afastar-se das pessoas que praticam o bullying até que o problema seja solucionado. Em hipótese nenhuma devem ficar sozinhas com o agressor porque sempre será mais seguro falar com ele perto de outras pessoas. Jamais responder às provocações porque essa reação fará com que o outro aumente as humilhações. Evitar manter a agressão e o agressor em segredo. É importante contar o que está acontecendo para os professores, pais ou responsáveis. Deus sempre faz a sua parte, mas é necessário que cada um também faça a sua.

A alma guarda os sentimentos, as mensagens negativas, os traumas, as lembranças boas ou más do ser humano. Tudo o que produziu feridas na alma é canalizado para o comportamento da pessoa. Mas Deus tem poder para sarar a alma, restaurar a vida humana e ser abrigo contra os opressores, Sl 42: 5.

A renovação da mente, pela Palavra de Deus, faz com que os conceitos bíblicos vençam as idéias negativas existentes na mente da pessoa, Rm 12: 2. Há poder nos pensamentos porque eles condicionam a mente e a mente comanda a forma de vida de uma pessoa. Por isso é importante ler a Bíblia habitualmente e permitir que o Espírito Santo faça as devidas alterações nas idéias negativas, Fp 4: 6-8.

O diálogo com Deus produz resultados benéficos e necessários à alma. Se imaginarmos uma seção de psicoteologia, haverá o paciente, o terapeuta e o Espírito Santo. O paciente fala para seu terapeuta quais são seus sentimentos e conta sua vida em detalhes. O terapeuta, direcionado pelo Espírito Santo, ministra cura na alma e desenvolve um trabalho de acompanhamento até haver mudanças na vida da pessoa.

Deus é onipresente, por isso pode ouvir as orações de uma vítima do bullying e acompanhá-lo até que sua alma seja restaurada e a pessoa tenha a vida abundante prometida por Jesus, Jo 10: 10. A terapia divina tem como base o amor, a bondade, a misericórdia e a graça de Deus.

Para aqueles que têm dificuldades de diálogo, entre em seu quarto, feche a porta e fale com Deus. Fale sobre como imagina que será a sua semana de aula, no colégio. Fale sobre os sentimentos ruins que se instalaram em seu coração. Fale sobre os fracassos por não conseguir mudar seus pensamentos e comportamentos. Fale sobre suas feridas da alma. O processo de cura interior tem como ponto de partida à disposição da vítima do bullying em ter suas feridas saradas e a oração é um meio muito eficaz para demonstrar isso.

Quando Deus afirmou “não é bom que o homem esteja só”, estava se referindo ao fato de não ser o ideal que o ser humano seja uma ilha. Por isso, deve procurar desenvolver relacionamentos com pessoas ou com grupos, onde as diferenças individuais são aceitas. Os relacionamentos interpessoais são ótimos tratamentos para as feridas da alma porque melhoram o autoconhecimento, a auto-estima, a auto-aceitação, o respeito próprio e o devido ajustamento à sociedade.

O relacionamento diário e constante com Deus produz saúde na alma. Ele conhece seus filhos e sabe onde ministrar o seu bálsamo curativo, Sl 139. Esse relacionamento particular pode acontecer em todos os lugares: ao levantar, na rua ou dentro do ônibus ou carro, na escola, no bairro em que mora, nas refeições, durante as tarefas de casa, à noite, na hora de deitar, etc... Um relacionamento íntimo e profundo com Deus pode curar as feridas da alma e dar um futuro promissor.

Conclusão

A questão do bullying é um problema antigo, mas sua discussão é recente. Tanto os praticantes como as vítimas possuem problemas interiores mal resolvidos ou não solucionados. Em Cristo, sempre houve nova vida para aqueles que o aceitam como Senhor e Salva-dor, independente da idade. A ação divina restaura e sara o mundo interior das vítimas da violência estudantil, faz com que o rendimento escolar atinja resultados melhores e produz relacionamentos saudáveis com os colegas e com o corpo de Cristo.

Fonte: http://www.iprb.org.br/artigos/textos/art101_150/art126.htm

Carinho e amor

Fernanda.

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